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Brasil o principal ponto de passagem do narcotrfico para frica | Jornal Digital
Reportagem especial

Cooperao a arma da Policia Federal

Brasil o principal ponto de passagem do narcotrfico para frica

2009-09-12 11:25:41

Braslia - frica uma prioridade brasileira, estabeleceu o presidente Lula da Silva, consequentemente o combate ao narcotrfico no continente africano tornou-se tambm numa prioridade da Policia Federal brasileira que privilegia a cooperao com os pases lusfonos.

Hoje o narcotrfico j no como antes dizem em Bissau e na Praia, Cabo Verde, fazendo aluso ao perodo em alguns nacionais enriqueciam subitamente e mostravam que eram ricos, com grandes casas novas e luxuosos carros a brilhar, comprados com o dinheiro da droga. Avies aterravam misteriosamente no interior da Guin-Bissau, e portos martimos cabo-verdianos recebiam contentores com estranhas mercadorias enquanto luxuosas moradias nasciam num ritmo desenfreado.

Em frica, particularmente na Guin-Bissau e Cabo Verde, a opinio geral considera que o narcotrfico quase desapareceu, e hoje histria de um passado recente, por vezes ainda introduzido nos discursos polticos.

Apenas num ponto so unnimes, quando designam a origem do narcotrfico, frica subsaariana no produtora de cocana, mas sim uma plataforma de um trfico importado da Colmbia e do Brasil.

Luiz Cravo Drea, coordenador-geral de represso a entorpecentes na directoria de combate ao crime organizado da Polcia Federal brasileira, em entrevista PNN reconheceu que a maior parte da droga que vai para frica passa pelo Brasil, mas sublinha que o Brasil no produz cocana, apenas produz maconha (liamba) e de fraca qualidade no exportvel.

Dados da ONU apontam para 845 toneladas o volume de produo mundial de cocana. Atravs do Brasil transitam cerca de 80 toneladas, metade fica no pas para consumo interno e a segunda metade parte para o exterior, principalmente para o mercado europeu.

Todavia, o Brasil de facto um pas de trnsito do narcotrfico, confirma Luiz Cravo Drea, e frica o continente de predileco dos traficantes mas tambm a opo mais dispendiosa, devido necessidade de aplicao de uma logstica mais complexa para o reencaminhamento das drogas para a Europa e utilizao de mais intermedirios. As aces das polcias nacionais e internacionais obrigam tambm os narcotraficantes a inovarem constantemente as rotas da droga. Todavia, a instabilidade e insegurana de vrios Estados africanos torna-se num factor de segurana para os traficantes, justificando assim o investimento e a utilizao de meios colossais que resultam em benefcios proporcionais.

Para o responsvel da Polcia Federal Cabo Verde e Guin Bissau ainda so as principais plataformas do trfico de cocana que transita para Europa por via area, no entanto, reala, o transporte martimo continua a ser o meio privilegiado dos traficantes. O que mudou foi a metodologia operacional dos narcotraficantes.

Menos mediatizada que Cabo Verde e a Guin-Bissau, a rota do narcotrfico no eixo Angola, frica do Sul, Republica Democrtica do Congo, considerada pela Polcia Federal como uma rota antiga. Investigaes da Policia Federal revelaram que esse trfico desenvolvido por via area, a partir do Brasil, atravs de companhias areas nacionais que efectuam voos directos regulares para o continente, no entanto a via martima continua a garantir aos traficantes um transporte quantitativamente superior e seguro.

Do Brasil, em termos quantidade de droga transportada por via area, Angola est em primeiro lugar como pas receptor, seguida pela frica do Sul. A Guin-Bissau o lder na recepo por via martima atravs de navios que partem dos portos brasileiros do Cear, Santos e Paranagu.

A Polcia Federal tem conseguido eliminar algumas redes, mas, humanamente impossvel travar o trfico de droga de uma maneira absoluta. O Brasil tem mais 7.400 km de faixa martima, um controlo absoluto da costa impossvel. De Santos, maior porto da marinha mercante na Amrica Latina, por ms so despachados 150 mil contentores e apenas possvel controlar um a dois por cento.

Para travar o fluxo e trnsito do narcotrfico no pas a Polcia Federal estabeleceu acordos com os principais produtores de cocana na Amrica Latina (Colmbia, Paraguai, Peru e Bolvia), e substituiu a DEA (Drug Enforcement Administration) na Bolvia quando, por motivos polticos, o Governo de La Paz decidiu expulsar do pas a organizao estatal americana de combate ao narcotrfico.

Na cooperao internacional no combate ao narcotrfico, a nossa ateno vai para os pases da frica Ocidental, confirma o responsvel da Polcia Federal. J comeamos a formar polcias africanos, de So Tom e Prncipe, Guin Bissau, Angola e Cabo Verde, nas nossas academias, ou seja privilegiamos os pases da CPLP e neste mbito estamos dispostos tambm a desenvolver a criao de uma academia de polcia na Guin-Bissau, mas a Europa tambm ter de participar. Em 2010 a Policia Federal prev aumentar a cooperao tcnica de capacitao policial em frica sobretudo no campo da legislao contra lavagem de dinheiro, uma rea vital na mecnica do narcotrfico.

A lavagem de capitais est directamente associada aos gigantescos benefcios gerados no comrcio da cocana que seduzem o continente africano onde a maioria da populao vive diariamente com 70 cntimos de euro. Um quilo de pasta base de cocana, pura, adquirido num pas produtor, como a Bolvia, por cerca de 800 dlares, que gera 6 mil dlares no Brasil e 30 mil na Europa. No assim necessrio um grande investimento para iniciar uma micro rede. No Brasil 90 por cento do trfico j garantido por micro carteis por vezes compostos por apenas um ou trs traficantes, uma mutao estrutural j exportada para frica e desenvolvida por nacionais.

Na Guin-Bissau e em Angola surgiram mltiplos negcios de fachada, criados oficialmente por nacionais e estrangeiros, que na realidade so autnticas filiais dos carteis colombianos geridas por nacionais formados pelos bares. Mudando assim a face dos traficantes.

O exemplo do Brasil flagrante. Os traficantes estrangeiros que mais se destacavam no pas eram os nigerianos. Hoje ainda so dominantes no mercado em So Paulo, mas deixaram de utilizar os seus compatriotas como mulas (pessoas que transportam as drogas). Agora o transporte particularmente garantido por brasileiros e europeus brancos... mesmo nos destinos para frica sublinhou Luiz Cravo Drea.

Rui Neumann

(c) PNN Portuguese News Network

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